A observação não é "gente famosa fez coisas"
É estrutural, e é de James L. Pelkey, não minha: a história dele das comunicações de dados trata o campo como o comportamento de uma população empreendedora, e não como uma sequência de empresas. As pessoas se repetem; as empresas são o que elas estavam fazendo naquele momento.
Depois que se procura, o padrão fica difícil de não ver. Ralph Ungermann saiu da Intel para cofundar a Zilog, e depois saiu da Zilog para fundar a Ungermann-Bass — a primeira empresa cujo negócio inteiro era rede. Robert Metcalfe saiu do , onde a foi inventada, para fundar a 3Com. Os Estrin aparecem repetidamente no período, em combinações diferentes.
O que o padrão de fato explica
Por que grupos de empresas aparecem juntos. Uma janela de mercado se abrindo é condição necessária; uma população de pessoas que já fez aquilo uma vez e consegue levantar dinheiro com base nesse histórico é o que transforma a abertura em uma dúzia de empresas em três anos.
Por que os mesmos instintos de arquitetura aparecem em concorrentes. As pessoas carregam suas premissas. Quem passou cinco anos vendo uma abordagem falhar não chega neutro na empresa seguinte, e produtos rivais de firmas fundadas pela mesma safra costumam compartilhar pressupostos que, décadas depois, parecem um estilo de casa que ninguém escolheu.
Por que aquisição não é o fim que parece ser. Ser comprado era o que sucesso significava para a maioria das empresas do período. E também liberava os fundadores, com dinheiro e reputação, para a janela seguinte — razão pela qual o nome do comprador numa linha do tempo é, com frequência, o começo da segunda empresa de outra pessoa.
O que ele não explica, e a armadilha embutida
Não explica quem venceu. As mesmas pessoas fundaram empresas que deram certo e empresas que não deram, às vezes na mesma década. Uma teoria de população diz para onde a energia vai; não diz qual aposta paga.
E a leitura tem um modo de falha que vale nomear: um campo descrito por seus fundadores recorrentes vira um campo em que só os fundadores recorrentes são visíveis. Quem ficou, quem fez uma empresa funcionar por quinze anos e nunca fundou nada, não aparece numa história com esse formato — e boa parte do que foi construído foi construído por essas pessoas.
É a mesma crítica que o acervo Prática deste site faz à indústria em geral: o registro seleciona demais quem se moveu, porque mover-se gera eventos e ficar não gera.
Por que isso importa para quem lê hoje
A população é outra e o formato é o mesmo. Sempre que um grupo de empresas aparece numa janela curta — virtualização, depois redes definidas por software, depois segurança em nuvem, depois o que vier — os fundadores são, em boa parte, pessoas que estavam dentro da onda anterior e saíram.
É uma coisa útil de saber quando uma tecnologia chega alegando ser inédita. Raramente é. Normalmente é a mesma população, aplicando o que a janela anterior ensinou, a um problema que a janela anterior criou.