# Os fundadores que não paravam de fundar

> Ler esta indústria como uma sequência de empresas ignora que ela é, em boa medida, a mesma população de pessoas se recombinando. Ungermann saiu da Intel para a Zilog e da Zilog para a Ungermann-Bass; Metcalfe saiu da Xerox para a 3Com. O que esse padrão explica, e o que não explica.

Source: https://ronutz.com/pt-BR/learn/the-founders-who-kept-founding  
Updated: 2026-08-10

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## A observação não é "gente famosa fez coisas"

É estrutural, e é de **James L. Pelkey**, não minha: a história dele das comunicações de dados trata o campo como o comportamento de uma **população empreendedora**, e não como uma sequência de empresas. As pessoas se repetem; as empresas são o que elas estavam fazendo naquele momento.

Depois que se procura, o padrão fica difícil de não ver. Ralph Ungermann saiu da Intel para cofundar a Zilog, e depois saiu da Zilog para fundar a Ungermann-Bass — a primeira empresa cujo negócio inteiro era rede. Robert Metcalfe saiu do Xerox PARC, onde a Ethernet foi inventada, para fundar a 3Com. Os Estrin aparecem repetidamente no período, em combinações diferentes.

## O que o padrão de fato explica

**Por que grupos de empresas aparecem juntos.** Uma [janela de mercado](https://ronutz.com/pt-BR/learn/market-window-networking) se abrindo é condição necessária; uma população de pessoas que já fez aquilo uma vez e consegue levantar dinheiro com base nesse histórico é o que transforma a abertura em uma dúzia de empresas em três anos.

**Por que os mesmos instintos de arquitetura aparecem em concorrentes.** As pessoas carregam suas premissas. Quem passou cinco anos vendo uma abordagem falhar não chega neutro na empresa seguinte, e produtos rivais de firmas fundadas pela mesma safra costumam compartilhar pressupostos que, décadas depois, parecem um estilo de casa que ninguém escolheu.

**Por que aquisição não é o fim que parece ser.** Ser comprado era o que sucesso significava para a maioria das empresas do período. E também liberava os fundadores, com dinheiro e reputação, para a janela seguinte — razão pela qual o nome do comprador numa linha do tempo é, com frequência, o começo da segunda empresa de outra pessoa.

## O que ele não explica, e a armadilha embutida

**Não explica quem venceu.** As mesmas pessoas fundaram empresas que deram certo e empresas que não deram, às vezes na mesma década. Uma teoria de população diz para onde a energia vai; não diz qual aposta paga.

E a leitura tem um modo de falha que vale nomear: **um campo descrito por seus fundadores recorrentes vira um campo em que só os fundadores recorrentes são visíveis.** Quem ficou, quem fez uma empresa funcionar por quinze anos e nunca fundou nada, não aparece numa história com esse formato — e boa parte do que foi construído foi construído por essas pessoas.

É a mesma crítica que o [acervo Prática](https://ronutz.com/pt-BR/practice) deste site faz à indústria em geral: o registro seleciona demais quem se moveu, porque mover-se gera eventos e ficar não gera.

## Por que isso importa para quem lê hoje

A população é outra e o formato é o mesmo. Sempre que um grupo de empresas aparece numa janela curta — virtualização, depois redes definidas por software, depois segurança em nuvem, depois o que vier — os fundadores são, em boa parte, pessoas que estavam dentro da onda anterior e saíram.

**É uma coisa útil de saber quando uma tecnologia chega alegando ser inédita.** Raramente é. Normalmente é a mesma população, aplicando o que a janela anterior ensinou, a um problema que a janela anterior criou.
