dBASE (II, III, IV)

termo

programaçãofornecedores e produtoscultura de operações

Significa: Ashton-Tate's microcomputer database and its programming language, the root of the xBase family

O sistema gerenciador de banco de dados e linguagem de programação para microcomputadores que a Ashton-Tate vendeu a partir de 1980 como dBASE II, o mais bem-sucedido de sua época: motor de banco, sistema de consulta, motor de formulários e linguagem em um só pacote, cujo dialeto virou a família xBase de dBASE III, FoxPro e Clipper.

O dBase foi um dos primeiros sistemas gerenciadores de banco de dados para microcomputadores e o mais bem-sucedido de sua época: um motor de banco de dados, um sistema de consulta, um motor de formulários e uma linguagem de programação que os amarrava. Começou como Vulcan, que Wayne Ratliff escreveu para o PTDOS em 1978, em assembly 8080, para escolher apostas em bolões de futebol americano, modelado no JPLDIS, um programa Univac do Jet Propulsion Laboratory; o porte para CP/M chamou a atenção da Ashton-Tate em 1980, e a empresa o licenciou, lançou-o como dBASE II a 700 dólares com uma garantia incomum, uma cópia de teste limitada e um disco lacrado completo devolvível em trinta dias, e o entregou para o IBM PC em setembro de 1982. No início de 1984 detinha, segundo se dizia, 70 por cento do mercado de bancos de dados para microcomputadores com 150.000 cópias vendidas, um catálogo de 700 aplicações escritas em sua linguagem e mais de trinta livros ensinando-a; o dBASE III saiu em julho de 1984 e foi portado para Unix e VMS, e em meados dos anos 1980 a Ashton-Tate era uma das Três Grandes com Lotus e Microsoft. Os clones xBase, FoxBASE+, FoxPro e Clipper, só o desalojaram quando o dBASE IV 1.0 de outubro de 1988 saiu cheio de bugs; em um ano a Borland comprou a Ashton-Tate, a Microsoft a Fox Software e a Computer Associates a Nantucket.

O que era. O sistema dBase incluía o motor central de banco de dados, um sistema de consulta, um motor de formulários e uma linguagem de programação que amarrava todos esses componentes, e a linguagem é a razão de ele ter importado além de suas próprias tabelas: um programa dBASE era um arquivo de texto de comandos sobre tabelas armazenadas em arquivos .dbf, formato que outros softwares ainda importam. O prompt de ponto interativo deixava o usuário digitar comandos diretamente, e o produto RunTime de fevereiro de 1983 deixava os desenvolvedores distribuir aplicações a clientes que não possuíam o produto completo. A ficha credita Cecil Wayne Ratliff como desenvolvedor, data a primeira aparição de 1979 e o lançamento final, dBASE 2019, daquele ano.

Origens. No fim dos anos 1960 Fred Thompson, no JPL, usava um produto da Tymshare chamado RETRIEVE; Jeb Long escreveu o JPLDIS para o Univac 1108 à sua imagem; e em 1978 Wayne Ratliff, programador da Martin Marietta, escreveu o Vulcan para o PTDOS em assembly Intel 8080, modelado no JPLDIS, para ajudá-lo a escolher apostas em bolões. O porte para CP/M chamou a atenção de George Tate e Hal Lashlee em 1980; eles o licenciaram em 1981 por um acordo de uma página com royalties generosos e o venderam como dBASE II. Custava 700 dólares. Os clientes recebiam uma versão limitada e um disco lacrado separado com a versão completa, devolvível fechado em trinta dias, o que provavelmente convenceu muitos a arriscar o preço. O porte para o IBM PC saiu em setembro de 1982, e à medida que os discos rígidos cresciam o produto tornou-se um dos primeiros títulos de banco de dados a vender em volume.

O auge. No início de 1984 a InfoWorld estimava que a Ashton-Tate fosse a sexta maior empresa de software para microcomputadores do mundo, com 35 milhões de dólares de vendas em 1983; o dBASE II teria 70 por cento do mercado de bancos de dados para microcomputadores com mais de 150.000 cópias vendidas, a empresa publicava um catálogo com mais de 700 aplicações escritas na linguagem, e mais de trinta livros e cursos a ensinavam, enquanto outras empresas produziam centenas de utilitários em volta. A explicação do próprio Ratliff era que o software estava incompleto, com omissões que outros desenvolvedores preenchiam, e que as lacunas construíram o ecossistema. A PC Magazine escreveu que aquela participação seria a inveja da Procter & Gamble ou da General Motors. O dBASE III foi anunciado em maio e entregue em julho de 1984, depois portado para Unix e VMS; o dBASE III Plus foi 63 por cento da receita do ano fiscal de 1987.

A queda. O dBASE ficou 22 meses sem atualização enquanto os concorrentes lançavam. O dBASE IV 1.0 chegou em outubro de 1988 com boas resenhas até que, na primavera de 1989, os usuários encontraram os bugs; Ed Esber admitiu em agosto de 1989 que fora lançado cedo demais, e a 1.1 só saiu em julho de 1990, quando muitos clientes já tinham migrado para os produtos xBase, FoxBASE+ e FoxPro, Clipper e outros, que implementavam melhor a mesma linguagem. No início dos anos 1990 o xBase era a principal plataforma para aplicações de negócio, e em um ano as três maiores empresas foram compradas: a Borland comprou a Ashton-Tate, a Microsoft comprou a Fox Software e a Computer Associates adquiriu a Nantucket. A Borland lançou um dBASE IV revisado em 1992, descrito como projetado para programadores e não para usuários comuns, e o Departamento de Justiça a obrigou a encerrar o processo contra a Fox e a permitir que outras empresas usassem a linguagem dBASE/xBase sem ameaça de ação legal. Na primeira década deste século a maioria dos produtos xBase originais havia desaparecido; em 2022 ainda existiam produtos chamados dBase, da dBase LLC, e o The Register noticiou que o site do dBase deixou de operar em 2026.

Por que está neste glossário. Todo sistema de pequena empresa que a geração do autor herdou no Brasil nos anos 1990, estoque, faturamento, a lista de pacientes da clínica, era uma aplicação dBASE ou Clipper em um compartilhamento NetWare, e o arquivo .dbf ainda é o mínimo denominador comum da troca de dados. O verbete Clipper conta a metade do compilador; os registros de Ashton-Tate, Borland e Nantucket na linha do tempo da indústria trazem as empresas.

Também conhecido como: dbase ii, dbase iii, dbase iii plus, dbase iv, xbase, dbf, foxpro, ratliff

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