Poe's law

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Sem um marcador claro de intenção, a paródia de posições extremas é indistinguível das próprias posições.

Nathan Poe a formulou num fórum sobre criacionismo em 2005, e a Internet logo provou que ela é geral: sem um emoji piscando, alguém levará a sátira a sério, e outra pessoa tomará o post sincero por sátira. É uma restrição real à comunicação online, à moderação e, agora, aos conjuntos de dados raspados da web, onde a ironia chega sem rótulo. Toda comunidade a reaprende no dia em que sua piada interna escapa da contenção.

Sem um indicador claro de intenção, uma paródia suficientemente extrema é indistinguível de crença sincera, e sempre haverá quem a leve a sério. A lei de Poe surgiu num fórum sobre criacionismo em meados dos anos 2000 e se generalizou de imediato, porque o fenômeno não é específico de assunto algum.

O mecanismo é sobre a amplitude da opinião real, e não sobre qualidade da escrita. Uma vez que posições genuínas cobrem um espectro suficientemente amplo, qualquer paródia precisa ser extrema o bastante para ficar fora dele, e não há fora: o que quer que você invente, alguém sustenta com sinceridade. É por isso que a sátira envelhece tão mal e por que uma piada lida seis meses depois, fora do contexto original, é lida com confiabilidade como séria.

Sua relevância prática está em moderação e detecção. Um sistema de conteúdo que tenta distinguir paródia de defesa tenta algo que a lei diz ser impossível a partir do texto isolado, e é por isso que as plataformas recorrem a rótulos, histórico de conta e sinais de contexto. É também a razão de marcadores de sarcasmo seguirem sendo reinventados, do emoticon em diante: o problema de fundo é que o texto escrito não carrega tom, e todo meio acaba precisando de uma convenção para fornecê-lo.

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