Jeitinho

folclore

cultura de operaçõesgovernança e risco

O talento de resolver algo contornando uma regra em vez de passar por ela — em geral com simpatia, em geral sem dinheiro trocando de mãos, e em geral a um pequeno custo para quem está cumprindo a regra.

Onde a gambiarra dobra um material, o jeitinho dobra um procedimento. Ele vive na fresta entre a lei impessoal e a relação pessoal: a fila pulada porque você conhece o porteiro, o formulário aceito fora do horário porque alguém deu um telefonema, o prazo que anda porque você pediu bem. O brasileiro o descreve com orgulho e com desconforto no mesmo fôlego, e a expressão que o carrega — dar um jeitinho — é um diminutivo trabalhando muito: o -inho faz a manobra parecer pequena e perdoável.

Para quem trabalha em organizações brasileiras o conceito é operacionalmente real. Uma mudança que entra sem janela, um acesso concedido por mensagem, uma exceção que vira a prática — cada uma é um jeitinho, e cada uma é a razão de um controle que existe no papel falhar numa auditoria. Essa é a metade honesta. A outra é que a palavra também nomeia uma competência social genuína num sistema em que os canais formais são lentos e aplicados de forma desigual, e é por isso que a mesma pessoa pode condená-lo no abstrato e recorrer a ele numa terça-feira. Os pesquisadores de informalidade de Oxford o catalogam ao lado do jugaad indiano, do blat russo e do guanxi chinês: culturas diferentes, a mesma resposta humana a uma regra que não serve ao caso. Seu primo técnico é a gambiarra — o conserto improvisado no mundo físico ou digital — e a distinção que vale guardar é que um dobra uma regra e o outro dobra um fio.

Contestado / frequentemente mal contado Uma versão popular desta história é imprecisa - veja a nota acima.

Também conhecido como: jeitinho brasileiro, dar um jeitinho, dar um jeito, jeito, malandragem, jugaad, blat, guanxi

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