Oito pares de mãos
Um switch chega a um rack porque uma longa sequência de pessoas fez o seu trabalho. Alguém decidiu o que ele deveria ser. Alguém o moveu por um distribuidor até um revendedor. Alguém o vendeu, e outra pessoa respondeu por se ele funcionaria de fato. Alguém o implantou, alguém o opera, alguém atende o telefone quando ele para, alguém o observa em busca de um adversário, e alguém ensinou a cada uma dessas pessoas o que ela sabe.
Essa sequência é um fato sobre a indústria, e não um jeito de organizar uma lista. É a espinha de Os Papéis:
feito → movido → vendido → implantado → operado → sustentado → defendido → ensinado
Um trabalho novo aparece e o caminho diz onde ele pertence.
Três instituições concordam: um título não é um trabalho
A coisa mais útil que a pesquisa trouxe foi um ponto que três instituições fazem de forma independente.
O registra que papéis de trabalho são distintos de cargos e ocupações. A CISA vai além e lista os títulos sob os quais um mesmo papel é anunciado: administrador de rede, analista de rede, projetista de rede, engenheiro de rede, engenheiro de sistemas de rede, especialista em telecomunicações. Um corpo de trabalho, seis nomes. E o diz, sobre change enablement, que em organizações orientadas a produto a prática é integrada ao dia a dia e automatizada — podendo não ser um cargo.
Comparar duas descrições de vaga informa sobre o vocabulário de duas empresas. Comparar pelo que cada papel responde informa sobre o trabalho.
Pelo que um trabalho responde, e como é medido
Cada entrada do corpus mantém as duas coisas separadas, porque em todo trabalho que vale descrever elas diferem — e a distância entre elas é a dificuldade.
- Um systems engineer responde por precisão técnica e é medido por receita. As duas apontam para o mesmo lado apenas enquanto a verdade é favorável.
- Um gerente de projeto responde pela verdade do cronograma e é medido por cumpri-lo.
- Um consultor responde por independência e é medido por horas faturadas e por novos contratos.
- Um auditor também responde por independência, e a gasta sendo prestativo.
O padrão que apareceu cinco vezes
Escritos de forma independente, a partir de fontes diferentes, cinco papéis chegaram à mesma coisa.
O channel systems engineer tem êxito quando os engenheiros do parceiro deixam de precisar ligar. O suporte nomeado tem êxito quando os incidentes deixam de acontecer. O consultor faz o melhor trabalho disponível quando a resposta é que nenhum programa é necessário. O gestor de desenvolvimento de talentos que treina para capacidade em vez de presença reporta números mais silenciosos. O gestor de comunidade tem êxito quando os membros respondem uns aos outros.
Papéis cujo êxito reduz a própria atividade visível são sistematicamente subavaliados, e cada um deles precisa de alguém sênior que entenda isso antes de os números chegarem.
Se você ocupa um desses cargos, vale ter essa frase pronta antes da avaliação, e não durante.
Os níveis existem duas vezes
Um engenheiro que diz "foi para o L2" está descrevendo um de dois eventos inteiramente diferentes, dependendo da empresa em que trabalha.
Dentro do cliente, a escada começa num service desk que existe para que o conhecimento de roteamento fique em um lugar em vez de em todas as cabeças. Dentro do fabricante, ela vai do segundo nível ao terceiro e daí aos desenvolvedores. Um caso cruza de uma escada para a outra no ponto em que a organização que opera o produto pergunta à organização que o construiu — e o terceiro nível é essa fronteira, o único papel que toca as duas.
Os níveis atravessam tudo isso
Um nível é ortogonal a um papel: o mesmo título existe em quatro deles, e os mesmos quatro existem em cada grupo.
O que muda entre níveis é o tamanho da pergunta que lhe entregam — uma tarefa definida, um problema conhecido, um problema indefinido, ou um problema que a organização ainda não nomeou. A prática brasileira nomeia os três níveis comuns: júnior, pleno, sênior; vários mercados de língua inglesa nomeiam o primeiro e o terceiro e deixam o do meio para ser descrito pelo que a pessoa deixou de ser. Pleno é a palavra mais útil, porque diz a coisa diretamente.
Acima de sênior a escada se bifurca. A página de níveis cobre o braço de gestão, o braço técnico, e a pergunta que vale fazer antes de escolher: qual é o comprimento do braço técnico aqui, e quem está no topo dele hoje.
Onde estes trabalhos estão
Toda organização de algum porte hoje opera infraestrutura, e portanto contém estes papéis. Um banco emprega engenheiros de rede, um hospital emprega analistas de segurança, uma fazenda emprega alguém que responde pela conectividade entre os silos e o escritório.
A indústria de tecnologia já não é onde a maioria dos trabalhadores de tecnologia está empregada. Os fabricantes, distribuidores e integradores deste caminho são uma minoria de quem faz o trabalho.