Comprar produtos de é fácil e construir um SOC não é, porque a dificuldade não está em produto algum, e sim em saber qual pergunta cada um responde e como as respostas se combinam.

Para que serve cada camada

A arquitetura de SOC da Fortinet é mais fácil de guardar como um conjunto de perguntas que como uma lista de produtos.

PerguntaOnde é respondida
O que aconteceu neste endpoint?FortiEDR
O que aconteceu na rede?Logs do FortiGate, FortiNDR
O que aconteceu em tudo, correlacionado?FortiSIEM, FortiAnalyzer
Quem está tratando isso, e o que já fez?FortiSOAR
O que é normal para este usuário ou entidade?UEBA

O valor está nas costuras, e não nas caixas. Uma execução num endpoint é banal; uma conexão de saída é banal; um e-mail de phishing é banal. Os três juntos, nessa ordem, em minutos, são um incidente, e produto algum sozinho vê os três.

Esse é o argumento para correlação, e é também a razão de um SOC com ferramentas excelentes e nenhuma integração render menos que um com ferramentas modestas conectadas entre si.

Vetores de ataque

As rotas de entrada não mudaram muito, e saber a quais você está de fato exposto foca todo o resto.

Phishing e engenharia social seguem sendo o acesso inicial mais comum, porque miram a parte do sistema que não se corrige com atualização. A oportunidade de detecção raramente é o e-mail em si, e geralmente é o que acontece depois dele: um documento lançando um interpretador de scripts, um usuário autenticando de um local implausível.

Serviços expostos e vulnerabilidades vêm em segundo. Tudo que é alcançável da internet está sendo varrido continuamente, e a janela entre uma vulnerabilidade se tornar pública e ser explorada em escala é curta o bastante para que a cadência de correção seja preocupação de detecção, e não só de higiene.

Abuso de credenciais é o que torna os demais duradouros. Credenciais roubadas produzem atividade que é autorizada por definição, e é por isso que telemetria de identidade importa e por que "este login teve sucesso" não é o mesmo que "este login foi legítimo".

Cadeia de suprimentos e terceiros alarga o perímetro para incluir organizações que você não controla. A consequência prática é que conexões confiáveis merecem monitoramento, e não isenção.

Atividade interna, maliciosa ou descuidada, é o caso em que todo controle técnico está satisfeito e o comportamento ainda está errado. É o argumento mais forte a favor de linha de base comportamental.

Ler comportamento em vez de alertas

Um alerta diz que algo casou com uma regra. Comportamento é a sequência, e lê-la é o que separa triagem de investigação.

Os enquadramentos que ajudam:

Etapas. Ataques avançam por fases reconhecíveis: obter acesso, estabelecer persistência, escalar privilégio, mover-se lateralmente, coletar, e agir sobre objetivos. Situar uma observação numa etapa diz o que procurar em seguida: um alerta de execução deveria motivar uma checagem de persistência, porque é isso que costuma vir depois.

Técnicas acima de indicadores. Um indicador é um endereço ou hash específico e muda barato. Uma técnica — extrair credenciais da memória de um processo, agendar uma tarefa para persistência — é cara para o atacante mudar porque é como o objetivo é alcançado. Detecções escritas contra técnicas sobrevivem; contra indicadores, expiram.

Linhas de base. Boa parte da atividade maliciosa é atividade comum num lugar ou horário incomum. Uma ferramenta administrativa não é suspeita; aquela conta usando-a naquele servidor àquela hora pode ser. Isso só funciona se o normal tiver sido caracterizado, que é para o que serve a UEBA.

O que torna uma detecção boa

A falha recorrente em engenharia de detecção é volume sem discriminação. Uma regra que dispara o tempo todo é silenciada, e uma regra silenciada é pior que uma ausente, porque produz a aparência de cobertura.

As propriedades que vale exigir:

Uma resposta. Se ninguém sabe dizer o que fazer quando ela dispara, é telemetria, e não detecção, e pertence a um painel.

Falsos positivos toleráveis. Medidos no ambiente real, e não em princípio. Uma regra que produz quarenta alertas por dia no seu parque precisa de ajuste antes de ser habilitada, faça ela o que fizer em outro lugar.

Intenção documentada. O que ela procura e por quê. Quem faz a triagem às 3h frequentemente não é quem a escreveu, e uma regra que ninguém entende é uma regra que ninguém consegue ajustar.

Dados que ela consiga de fato ver. Uma detecção que depende de telemetria que sua coleta não retém nunca vai disparar, e a ausência parece idêntica a uma ausência de ataques.

O que quem vai prestar o exame precisa saber de cor

Cada produto de SOC responde uma pergunta diferente — endpoint, rede, correlacionado, fluxo de trabalho, linha de base comportamental — e o valor está em correlacionar entre eles, porque ataques relevantes são banais em qualquer visão isolada. Os principais vetores são phishing, serviços expostos, abuso de credenciais, cadeia de suprimentos e insiders, e o abuso de credenciais é o que torna a atividade autorizada por definição. Leia comportamento como sequências em etapas, prefira técnicas a indicadores porque indicadores mudam barato, e estabeleça uma linha de base para que atividade comum em contexto incomum fique visível. Uma detecção precisa de resposta definida, falsos positivos toleráveis medidos no seu próprio ambiente, intenção documentada, e telemetria que seja de fato coletada.