RNP (Rede Nacional de Ensino e Pesquisa)
siglaProvedores e telecomredes
A rede nacional de ensino e pesquisa do Brasil: o backbone acadêmico criado em 1989, e a infraestrutura sobre a qual a internet brasileira foi de fato construída.
A rede nacional de ensino e pesquisa do Brasil, criada em 1989, e a infraestrutura sobre a qual a internet brasileira foi de fato construída.
A internet brasileira começou nas universidades, não no comércio, e vale conhecer a sequência com precisão justamente porque a versão popular a comprime. Antes de a RNP existir havia enlaces internacionais separados: um do laboratório nacional de computação científica, no Rio, para a Universidade de Maryland a 9.600 bits por segundo, e um da fundação de amparo à pesquisa de São Paulo para o Fermilab, em Chicago, a 4.800, rodando DECnet e alcançando as redes de física e acadêmicas da época. O enlace do Rio veio primeiro, por cerca de três meses. E foi o que menos importou. Nunca evoluiu, e foi desligado em 1996 exatamente na velocidade em que começou, enquanto o enlace paulista virou aquilo a que todo o resto se conectou. Ser o primeiro e ser o que importa são conquistas diferentes, e este é um exemplo limpo dessa distância. Em maio de 1989 o país tinha três ilhas desconectadas de conectividade acadêmica, duas no Rio e uma em São Paulo, que só se alcançavam saindo do país e voltando. A RNP foi criada em setembro daquele ano para resolver exatamente isso: construir um backbone nacional e difundir o uso de redes num país onde quase ninguém tinha visto uma. A primeira conexão nacional em TCP/IP veio em fevereiro de 1991, o backbone atendeu a Rio-92, e em meados da década alcançava a maior parte dos estados por pontos de presença nas capitais, com redes regionais penduradas neles. Então veio a decisão que a transformou de instalação universitária em espinha dorsal do país: em 1995 a RNP passou a carregar tráfego comercial além do acadêmico, e virou o backbone da internet brasileira. Ela ainda opera a rede acadêmica, hoje chamada Rede Ipê, com ponto de presença em cada estado e no Distrito Federal. A lição geral não tem nada a ver com o Brasil. Internets nacionais costumam ser construídas por quem já estava conectando universidades, porque aquela comunidade tinha o requisito, as relações internacionais e a tolerância a infraestrutura instável uma década antes de alguém conseguir vender o serviço.
Também conhecido como: rede nacional de pesquisa, rede ipe, brazilian academic network
Fontes
- RNP's own history: created September 1989 by CNPq to build a national academic network infrastructure and to disseminate the use of networks in the country
- RNP archive, A Evolução das Redes Acadêmicas no Brasil: the LNCC-Maryland link at 9,600 bps, the FAPESP-Fermilab link at 4,800 bps from November 1988 using DECnet, and the three separate BITNET islands by May 1989
- IME-USP history of networks in Brazil: the LNCC line preceding FAPESP by three months, never evolving, and being decommissioned in 1996 at its original speed; Professor Oscar Sala's role; the first national TCP/IP connection by FAPESP in February 1991
- FAPESP and RNP materials: the 1992 backbone serving Rio-92, the 1995 decision to carry commercial traffic, and the RNP2 backbone of 1999