encryption is easy, key management is hard
expressãocriptografia
O resumo do veterano de criptografia: cifrar os dados é a parte fácil; proteger, rotacionar e não perder as chaves é a difícil.
Os algoritmos são gratuitos e auditados; o que falha na prática é a chave esquecida num repositório, o certificado que ninguém renovou, o HSM que ninguém sabe operar. É a piada das duas coisas difíceis do mundo cripto - e a razão de existirem sistemas de gerência de chaves.
A gestão de chaves é a parte da criptografia que de fato falha. Os algoritmos são o componente bem compreendido, extensamente revisado e raramente quebrado em produção; o que quebra é gerar chaves com entropia ruim, guardá-las num repositório, distribuí-las por um canal que não está protegido, não rotacioná-las, e não ter procedimento de revogação.
A recursão é o que torna isso difícil, e não apenas tedioso. Proteger uma chave exige outra chave, e proteger essa exige outra, e a cadeia precisa terminar em algum lugar: uma raiz em hardware, uma frase-senha na memória de uma pessoa, ou um procedimento institucional. Todo sistema real resolve essa regressão depositando confiança em algo não criptográfico, e onde ela termina é a fronteira de segurança de fato.
A consequência operacional é que as perguntas interessantes são procedimentais. Quem acessa a chave, como você saberia se acessou, o que acontece quando a pessoa que a configurou vai embora, e você consegue realmente revogá-la numa emergência ou isso é uma intenção documentada que ninguém testou. Essas perguntas têm resposta, e um sistema com algoritmos fortes e perguntas de gestão de chaves sem resposta não está protegido pelos algoritmos.