Captain Crunch (the 2600 Hz whistle)
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A lenda do phreaking telefônico de que um apito de brinquedo emitindo 2600 Hz podia tomar as linhas de longa distância da AT&T.
John Draper adotou o apelido Captain Crunch depois que um apito que vinha no cereal produzia justamente o tom de 2600 Hz que as antigas centrais telefônicas usavam para sinalizar uma linha livre, permitindo ligações gratuitas. O artigo da Esquire de 1971 que o divulgou inspirou uma geração de hackers, incluindo os jovens Wozniak e Jobs, e deu nome à revista 2600, criada depois.
John Draper ganhou o apelido de Captain Crunch pela descoberta de que um apito de brinquedo numa caixa de cereal produzia um tom de 2600 Hz, que por acaso era a frequência que a rede de longa distância da AT&T usava para sinalizar que um tronco estava livre. Soprá-lo no fone tomava a linha e entregava o controle do sistema de comutação a quem ligava.
A vulnerabilidade era arquitetural, e não acidental. A rede levava a sinalização de controle no mesmo canal da voz, então qualquer coisa capaz de produzir som era capaz de produzir comandos, e a segurança de todo o sistema de longa distância repousava em ninguém saber quais tons importavam. O phreaking telefônico foi a exploração sistemática desse fato, e a correção definitiva foi a sinalização fora de banda, que moveu o controle para um canal separado, fora do alcance dos usuários.
O princípio se generaliza muito além da telefonia e é a razão de a história ainda ser ensinada. Todo sistema que mistura controle e dados num mesmo canal fica exposto a quem controla os dados, que é a mesma falha estrutural por trás da injeção de SQL, do cross-site scripting e da injeção de comandos. Décadas diferentes, tecnologias diferentes, erro idêntico: a fronteira entre o que está sendo transportado e o que faz o transporte precisa ser imposta, e não presumida.
Também conhecido como: John Draper, Cap'n Crunch whistle, phreaking, 2600 Hz
Fontes
- Rosenbaum, 'Secrets of the Little Blue Box', Esquire (1971)