1996 – 2007
Cabletron e Enterasys
Onde a carreira começou, e onde a LAN corporativa foi aprendida do zero.
O fio individual mais longo desta história percorre uma empresa e sua sucessora. A Cabletron Systems, uma fabricante líder de equipamentos de rede sediada em Rochester, New Hampshire, foi o primeiro empregador, a partir de 1996. Quando a Cabletron se reorganizou em quatro empresas em 2000, a linha continuou como Enterasys Networks, e a relação foi retomada ali a partir de 2005. Juntas, abrangem a década formativa da expertise em redes corporativas.
A linhagem corporativa
Cabletron, 1996 a 2000
Ao longo de quatro anos e meio, o papel percorreu todo o arco da engenharia de fornecedor: engenharia de campo e suporte pós-vendas, engenharia de sistemas e pré-vendas, e, a partir de 1997, instrução certificada. O trabalho do dia a dia era prático e físico: instalar, configurar, diagnosticar, atualizar, migrar e, às vezes, mudar fisicamente de lugar as redes seguras, redundantes, resilientes e gerenciadas que faziam as empresas de São Paulo funcionarem, LAN, LAN de campus e WAN. O lado WAN era construído sobre Frame Relay e linhas E1 fracionadas, as LPs das operadoras brasileiras, chegando a ATM e Packet over SONET nos enlaces mais rápidos, e se apoiava principalmente em roteadores Cisco, do período em que a Cabletron fez parceria com a Cisco em roteamento antes de desenvolver o seu próprio. Foi aqui que a disciplina de projeto de solução, implementação, auditoria, diagnóstico e gestão de escalonamento foi praticada pela primeira vez, e onde o ensino entrou no trabalho.
Antes de o IP vencer
A rede corporativa do fim dos anos 1990 não era a monocultura de Ethernet e IP que viria a ser depois. O próprio meio físico tinha tanta chance de ser Token Ring, ou um backbone em anel de fibra e cobre FDDI ou CDDI, quanto de ser Ethernet. E o IP era apenas um protocolo entre muitos, dividindo os mesmos segmentos com o SNA da IBM, o DECnet da DEC, o XNS da Xerox, o AppleTalk e o IPX da Novell. O IPX, um descendente do XNS, era uma fonte notória de broadcast storms: rodava em qualquer um de quatro tipos de quadro Ethernet, 802.3 “raw”, 802.2, SNAP e Ethernet II, e um segmento onde esses tipos estivessem trocados, ou onde os broadcasts de serviço SAP corressem soltos, podia se afogar em overhead enquanto estações no tipo de quadro errado ficavam sem conseguir se comunicar. Fazer esses protocolos coexistirem em uma mesma infraestrutura, e mantê-la estável, era a realidade do dia a dia.
O SmartSwitch Router
Um produto daqueles anos mudou a trajetória. O SmartSwitch Router da Cabletron, o SSR, veio da aquisição da Yago Systems em 1998, um switch de camada 3 pioneiro que colocava roteamento em wire-speed onde a empresa precisava. Tornar-se um dos maiores especialistas em SSR do mundo, e ensiná-lo pelo Brasil a parceiros e clientes, foi a expertise que levaria a carreira para fora do Brasil: a linha SSR se tornou a Riverstone Networks, sediada em Santa Clara, e foi para lá que ela seguiu.
Em campo
Nada disso acontecia numa mesa. Foi puxar cabo embaixo do píer de navios petroleiros em São Sebastião, para a Petrobras, ao lado do country manager e de quase toda a equipe local, porque o prazo e a cláusula de multa não deixavam outra opção. Foi subir em estruturas metálicas para instalar antenas no alto, e rastejar por espaços apertados e empoeirados, sempre em traje social completo, gravata de grife incluída. Foi viajar muito de carro, avião e táxi, e acordar mais de uma vez sem saber em que cidade estava. Foi também conhecer muita gente boa e fazer amigos e conhecidos pelo caminho. O trabalho era físico, incansável e, à sua maneira, um privilégio.
Um corte transversal da economia
Onde o trabalho chegou é um currículo à parte. A lista de clientes atravessava a economia brasileira da época: os datacenters de bancos nacionais e internacionais e de processadoras de cartão, a bolsa de futuros BM&F, e corretoras de investimento e de valores; a Rede Globo em muitos sites no Rio de Janeiro e em São Paulo, a Editora Abril, e mídia impressa e de TV a cabo; a Petrobras pelos dois estados, a Votorantim e a VCP, e a indústria química e farmacêutica; companhias aéreas, operadoras nacionais de ônibus, seguradoras, call centers, redes de varejo e de fast-food, construtoras e incorporadoras; operadoras de telefonia móvel e de TV a cabo; governos federal, estadual e municipal; e grandes campi universitários geograficamente distribuídos. Poucas semanas eram iguais.
Enterasys, 2005 a 2007
Voltando à linhagem como gerente de serviços e suporte, o foco era a linha de produtos Secure Routing, com a Enterasys como ponto focal regional para o Brasil. O trabalho combinava suporte a clientes de alto nível, diagnóstico complexo e gestão de escalonamento, incluindo os escalonamentos exigentes que chegavam de uma conta-chave, a Petrobras em São Paulo, com gestão de produto localizada em paralelo. A superfície técnica havia crescido para incluir gerência de rede, NAC e UAC, detecção e prevenção de intrusão, e SIEM, em switching e roteamento corporativos. A Enterasys foi depois adquirida pela Extreme Networks em 2013, fechando um círculo que conecta este trabalho inicial a uma plataforma ainda ensinada hoje.
A superestrada sempre disponível
Um fio dos anos de Enterasys merece registro preciso, porque é fácil exagerar. Era o auge das redes baseadas em políticas, a Enterasys construiu sua arquitetura Secure Networks em torno de acesso por papel e 802.1X, e o trabalho ficava em contato próximo e constante com o mundo exigente das redes de contact center e dos sistemas de telefonia IP Avaya e Cisco que rodavam sobre elas. A familiaridade era profunda, mas era familiaridade pelo lado da rede. O papel nunca foi engenharia de comunicações unificadas; não trazia certificação de telefonia nem trabalho prático de UC. O que ele entregava, em vez disso, era a camada da qual tudo isso depende: uma superestrada segura, redundante, resiliente, monitorada e com disponibilidade garantida para voz e tráfego crítico. Ser claro sobre onde fica essa linha é parte de descrever o trabalho com honestidade.
Certificações
Cabletron Systems Engineer (CSE), 1999. Enterasys Systems Engineer (ESE), 2000 e 2007. Enterasys Certified Internetworking Engineer (ECIE), 2007.