Todas as épocas

Antes de 1996

A curiosidade

Importar peças, montar máquinas e conectar-se à internet dos primórdios, antes de nada disso ser um emprego.

Toda carreira técnica tem um antes. Antes dos selos de fabricante e das certificações, houve um adolescente que desmontava máquinas para entender como funcionavam, e um jovem autônomo que transformava esse entendimento em sustento. Foi aqui que se formou o instinto que move todo o resto.

01

Mão na massa com hardware, 1991 a 1995

A partir de 1991, o trabalho foi autônomo e prático: importar componentes de computador dos Estados Unidos, montar e vender computadores pessoais sob medida, e instalá-los, configurá-los e consertá-los para quem precisasse de ajuda. Era a época de construir uma máquina a partir de componentes e fazê-la funcionar, em vez de comprar uma pronta. Os sistemas daquele tempo passaram diretamente por estas mãos: DOS e CP/M, BASIC, Turbo Pascal, as primeiras versões do Windows e aplicativos de escritório, e as ferramentas de banco de dados com que as pequenas empresas trabalhavam na época, Clipper e dBase.

02

As redes anteriores à internet

As redes não começaram com a web. Muito antes da banda larga, o tecido que conectava tudo era diferente e mais difícil de lidar: Novell NetWare para servidores locais, sistemas de bulletin board para comunidade e troca de arquivos, as primeiras redes Ethernet, e as tecnologias de longa distância da época, X.25 (conhecida no Brasil como RENPAC) e Frame Relay. Quando a internet enfim chegou, chegou por modem, acessada por uma conta shell, SLIP ou PPP. Trabalhar com tudo isso significava entender redes desde o cabo, um entendimento que mais tarde fez as redes corporativas parecerem terreno conhecido.

03

BBS, phreaking e a internet acadêmica

A verdadeira curiosidade daquela época ia além do trabalho remunerado. As explorações daqueles anos incluíram operar e usar sistemas de bulletin board, a mexida na rede telefônica da cena do phreaking, UNIX na prática, e o acesso inicial à internet acadêmica. Era aprender fazendo, em uma comunidade que compartilhava conhecimento porque não havia outro lugar para obtê-lo. Esse hábito, de cavar até entender algo de verdade e então repassá-lo, nunca desapareceu.

04

1995: o primeiro emprego formal

Em 1995, o trabalho autônomo desaguou em um primeiro emprego formal. Na INTELECTA, uma empresa incubada pelo SEBRAE-SP, o projeto foi um sistema de troca eletrônica de dados para a comercialização de suprimentos médicos e hospitalares, construído sobre servidores Novell NetWare e o sistema de bulletin board PCBoard. Era um sistema de verdade, resolvendo um problema comercial de verdade, e marcou o ponto em que o hobby e o ofício viraram profissão.

No fim de 1995, a base estava lançada: uma pessoa que entendia máquinas e redes desde os primeiros princípios, que aprendia construindo, e que já tinha o instinto de explicar. Tudo o que veio depois, os fabricantes, as certificações, as salas de aula pelo mundo, foi construído sobre isso.