Todas as épocas

1996 – 2020

Quem é da área

Duas décadas dentro da indústria de redes e segurança, construindo, quebrando e consertando os sistemas que mais tarde se tornaram o conteúdo programático.

Este é o longo meio da história, e a razão de o treinamento que veio depois ter peso. Por cerca de duas décadas, o trabalho foi implementação: projetar redes, colocá-las no ar, resolver seus problemas sob pressão, e ser a pessoa que recebe a ligação quando algo crítico quebrava. A jornada passou por alguns dos nomes que definiram as redes, em dois continentes.

01

Cabletron e Enterasys, 1996 a 2000

A carreira formal começou em 1996 na Cabletron Systems, à época uma fabricante líder de equipamentos de rede sediada em Rochester, New Hampshire. Ao longo de quatro anos e meio, o cargo abrangeu engenharia de campo e suporte pós-venda, engenharia de sistemas e pré-vendas, e, a partir de 1997, instrução certificada. O assunto era a LAN e a WAN corporativa da época: switches, roteadores, Wi-Fi e WLAN, gerenciamento de rede, NAC e UAC, e firewalls de inspeção de estado. Em 2000, a Cabletron se reorganizou em quatro empresas, e a parte que tocou esta carreira virou Enterasys Networks.

02

Riverstone Networks, Santa Clara, 2000 a 2002

O capítulo seguinte foi na Califórnia. A Riverstone Networks, um spin-off da Cabletron que fabricava equipamentos de rede metropolitana, trouxe uma mudança para Santa Clara com um visto de trabalho H1-B1. O cargo foi engenheiro de suporte a produto de nível III e coordenador de gestão do conhecimento: escalonamento técnico de terceiro nível, reprodução de cenários de cliente em laboratório, testes de regressão e verificação de bugs, e a construção da base de conhecimento na qual o restante do suporte se apoiava. As tecnologias eram a espinha dorsal do mundo de operadoras e metro do início dos anos 2000: Gigabit Ethernet, MPLS, switching e roteamento metropolitanos, e BGP. Esse período também rendeu um marco formal: como parte do processo de visto, uma avaliação nos Estados Unidos em 2001 reconheceu uma formação equivalente a um bacharelado em ciência da computação e um bacharelado em administração de empresas.

03

Cisco Systems, Brasília, 2003 a 2004

De volta ao Brasil, e contratado através da Cisco Professional Services, o cargo se deslocou para a relação com o cliente em sua forma mais exigente. Como gestor de operações de alto contato e ponto de contato único, o trabalho foi a gestão da satisfação do cliente no pós-venda para duas das maiores entidades federais do Brasil, o SERPRO, a empresa de processamento de dados do governo, e a ECT-Correios, o correio nacional. A superfície técnica eram switches e roteadores Catalyst, firewalls PIX, e balanceadores de carga CSS, CSM e ACE, mas o trabalho de verdade era a gestão de escalonamentos e manter uma infraestrutura nacional crítica funcionando sem percalços.

04

Enterasys de novo, depois Juniper, 2005 a 2010

A segunda metade da década voltou ao lado do fabricante como especialista na LAN corporativa. Na Enterasys a partir de 2005, o foco eram os switches e roteadores, Wi-Fi e WLAN, gerenciamento de rede, NAC e UAC, e detecção e prevenção de intrusões, passando por design de soluções, implementação, auditoria e treinamento. A partir de 2009, na Juniper Networks através da Professional Services para a América Latina, o cargo foi a promoção de novos produtos para o parceiro estratégico Telefónica Empresas no Brasil, com foco em switches EX e firewalls SRX, com treinamento operacional de Junos-SRX ministrado na Level 3 e na Impsat, hoje Lumen.

05

Os anos de canal e consultoria, 2010 a 2020

A última década desta época transitou com fluidez entre cargos, todos construindo em direção ao instrutor a que a história chega. Houve períodos como engenheiro de redes e segurança através de revendas e distribuidores, aprofundando a expertise em switching e roteamento corporativo, firewalls e firewalls de próxima geração, SSL-VPN, controle de acesso de usuários, aceleração de WAN e balanceamento de carga de internet em soluções da Juniper e da Cisco. De forma decisiva, esse período incluiu a virada para a F5, com o início do trabalho com F5 BIG-IP que definiria os anos seguintes. Em meio a tudo isso, o treinamento técnico foi um fio constante, nunca ausente de cargo nenhum.

Em 2020, o quadro estava completo: alguém que não apenas havia estudado esses sistemas, mas vivido dentro deles por vinte anos, no lado do fabricante e no do cliente, no projeto e na crise. Essa é a diferença que um implementador leva para uma sala de aula. Quando essa pessoa explica por que uma configuração se comporta de determinada maneira, é porque a viu se comportar assim, às três da manhã, com um correio nacional esperando.