# You Sh0t the Sheriff: o podcast que virou a conferência de segurança mais exclusiva do Brasil

> Três pessoas em três cidades começaram um podcast de segurança em 2006. O evento veio depois, e herdou o formato do podcast: pequeno de propósito, só por convite, com o local mantido em segredo até a confirmação. Duas décadas depois, o podcast continua gravando e a conferência já pôs Jeff Moss e o Space Rogue no mesmo palco de quem escreveu as ferramentas brasileiras.

Source: https://ronutz.com/pt-BR/learn/ysts-you-shot-the-sheriff  
Updated: 2026-08-31

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## O podcast veio primeiro

O **ISTS - "i sh0t the sheriff"** começou em 2006 como podcast brasileiro de segurança da informação com três apresentadores: **Luiz Eduardo dos Santos**, **Nelson Murilo Rufino** e **Willian Caprino**.

O relato do próprio Caprino sobre como aquilo começou é incomumente direto quanto à mecânica. Os três trabalhavam com segurança da informação, moravam em cidades diferentes - o Luiz Eduardo, em outro país - e tinham uma afinidade pelo tema que às vezes convergia e às vezes divergia. A ideia foi do Luiz Eduardo, que passou meses insistindo para que gravassem um piloto.

Esse detalhe explica tudo o que veio depois. O evento não foi concebido como evento. Ele nasceu de uma conversa recorrente entre três pessoas que já tinham audiência, e a conferência guardou o registro daquilo de onde veio: sem pressa, com opinião, e mais perto de uma conversa entre pares do que de uma palestra.

O podcast não parou quando a conferência começou. Ele segue gravando, com roteiro creditado aos mesmos três nomes e produção da Halfmouth Podcasts; episódios acima do número 140 estavam sendo publicados em meados dos anos 2020. Quase vinte anos de produção contínua fazem dele um dos podcasts de segurança mais longevos em português.

## Os três fundadores

**Luiz Eduardo dos Santos** - o que insistiu no piloto, e o fundador de trajetória mais internacional. Passou a carreira entre países, o que é parte da razão de a conferência nunca ter soado como evento puramente local.

**Nelson Murilo Rufino** - autor do **chkrootkit**, o detector de rootkits que faz parte do ferramental de segurança Unix desde o fim dos anos 1990 e que continua sendo lançado: a versão 0.57 saiu em janeiro de 2023. É coisa incomum de se poder dizer sobre uma ferramenta de segurança, e faz dele um dos pouquíssimos fundadores de conferência no mundo cujo próprio código segue instalado em servidores de outras pessoas décadas depois. Ele já deu o próprio relato sobre a ferramenta e sobre a fundação da conferência em entrevistas.

**Willian Caprino** - o fundador que escreveu de forma mais aberta sobre como o evento foi de fato construído, num texto cujo título é, literalmente, "ou, como fizemos o evento de segurança mais badalado do Brasil". A organização opera como STS Produções e Eventos.

## O que é o evento, e a regra que o define

A primeira edição foi em 2007. Em 2026 o evento chegou à décima oitava.

Três decisões o definem, e as três são recusas deliberadas de crescer:

**É só por convite.** A participação depende de convite de um patrocinador. Não há inscrição aberta, o que significa que a lista de presentes é curada, e não vendida.

**O local é secreto.** O lugar é escolhido com cuidado e mantido em sigilo, revelado apenas a quem confirmou presença.

**O tamanho é limitado por princípio.** Na décima edição os três fundadores abriram falando da distância entre a primeira e a décima, e descrevendo o trabalho de manter o evento *do mesmo tamanho* - pela crença declarada de que mais participantes custariam a qualidade que eles têm. Conferências quase nunca dizem isso em voz alta, porque o incentivo aponta para o outro lado: patrocinador paga por alcance, e alcance é número de pessoas.

O resultado é um dia único que se comporta como um ótimo corredor de conversas com palestras anexadas. O objetivo declarado é aproximar público técnico e gerencial numa sala só, o que na maioria das conferências é slogan e ali é um problema de disposição de cadeiras que eles de fato resolvem.

## A primeira edição, pelo relato de um dos fundadores

O texto de Caprino sobre como o evento foi montado nomeia as pessoas escolhidas a dedo na própria rede de relacionamento para aquele primeiro ano, e a lista diz o que eles buscavam:

**Felix "FX" Lindner** - o hacker alemão, que falou sobre malware em dispositivos móveis na época do primeiro iPhone, do Symbian, do Windows Mobile e do BlackBerry. Ninguém falava em Android ainda.

**Rodrigo "BSDaemon" Rubira Branco** - sobre se o mundo acaba quando há uma falha no kernel de um sistema operacional. Ele se tornou desde então um dos keynotes mais requisitados do país, a ponto de a piada da comunidade ser que convidá-lo garante ao menos uma palestra de qualidade de verdade.

**Augusto Paes de Barros** - sobre detecção de ameaças internas, tema que ele mesmo apresentou como o "not so cool".

**Nick Farr** - sobre **hackerspaces**, assunto então inédito no Brasil. Alberto Fabiano, cofundador do Garoa Hacker Clube, já falecido, comentou com Caprino que aquela foi a primeira vez que ouviu falar do tema. O Garoa é hoje o hackerspace mais conhecido do país, e a corrente volta até aquela sala.

A regra editorial por trás dessas escolhas é dita com a mesma clareza: conteúdo em primeiro lugar, sem blá-blá-blá de venda de produto, e palestrantes que fossem nomes que os próprios fundadores respeitavam. O local deveria ser um bar, um pub, com cerveja e caipirinha à vontade, sob o argumento de que aprender e se divertir não são coisas excludentes. E precisava misturar palestras técnicas com gerenciais, porque naquela época o abismo entre os dois públicos era grande e ninguém o atravessava.

## Os nomes brasileiros pelos quais a sala é conhecida

**Nelson Brito** - o criador do **T50**, a ferramenta de injeção de pacotes e teste de estresse, e pesquisador conhecido por trabalhos publicados sob nomes como Permutation Oriented Programming e SQL Fingerprint. Seu histórico de palestras passa por IME, CNASI, CONIP, SERPRO, ITA, H2HC, BSides São Paulo e YSTS, e ele foi o único brasileiro a apresentar na PH-Neutral, em Berlim, em 2011.

## Quem já esteve naquele palco

A programação misturou quem construiu a cena internacional com quem construiu a brasileira - que é a evidência mais clara do alcance real dos fundadores.

**Jeff Moss** - fundador e criador da **DEF CON** e das **Black Hat Briefings**, ex-diretor de segurança da ICANN, membro do Cyber Security Advisory Council da CISA, e consultor técnico da série *Mr. Robot*. As duas conferências que ele criou são a referência contra a qual todo outro evento de segurança do mundo é descrito.

**Cris Thomas, o "Space Rogue"** - integrante do **L0pht Heavy Industries**, o primeiro laboratório de ideias em pesquisa de segurança, e criador do Hacker News Network. É um dos membros do L0pht que depuseram perante o Comitê de Segurança Interna e Assuntos Governamentais do Senado dos Estados Unidos, e depois disso passou por @stake, Guardent, Trustwave, Tenable e IBM X-Force.

**Deviant Ollam**, do **TOOOL** - a Open Organisation of Lockpickers -, abriu a quinta edição, em maio de 2011, com uma palestra sobre os conceitos básicos de lockpicking, e vendeu kits para a plateia depois. Aquela edição bateu recorde de público, e a palestra de lockpicking foi a mais comentada.

**Fábio Assolini** apresentou nessa mesma quinta edição sobre como os criminosos brasileiros usam dados pessoais roubados - dois dias depois de outra palestra no GTS, que é o que uma semana cheia do calendário brasileiro parece.

Ao lado deles, quem carrega a cena brasileira:

- **Anchises Moraes** - fundador do Security BSides São Paulo, figura do Garoa Hacker Clube, diretor do capítulo Brasil da Cloud Security Alliance, e autor do calendário de eventos com que boa parte da comunidade brasileira planeja o ano.
- **Nelson Novaes Neto** - um dos sócios na criação do C6 Bank, pesquisador afiliado ao MIT, publicado na Harvard Business Review sobre liderança em segurança.
- **Rodrigo "Sp0oKeR" Montoro** - engenheiro de detecção de ameaças com duas tecnologias de detecção patenteadas, presença constante em OWASP AppSec, SANS, Toorcon, SecTor e Black Hat Brasil.
- **Thiago Bordini** - líder de inteligência de ameaças cibernéticas, e parte da organização do Security BSides São Paulo.
- **Fábio Assolini** e **Fábio Marenghi** - analistas de malware da Kaspersky trabalhando no cenário latino-americano de ameaças, a região de onde a [fraude bancária brasileira](https://ronutz.com/pt-BR/learn/brazilian-cybercrime-from-boleto-to-pix) é pesquisada por dentro.
- **Gustavo Palazolo**, **Julio Della Flora**, **Letícia Freitas**, **Flávio Bontempo** e outros, em detecção, hardware, identidade e conscientização.

O evento também roda formatos que só funcionam no tamanho dele, incluindo um debate um a um entre executivos de segurança sobre um tema sorteado na hora.


Um detalhe estrutural vale conhecer, porque organiza o maio brasileiro inteiro: o YSTS é agendado logo depois do [BSides São Paulo](https://ronutz.com/pt-BR/glossary/bsides-sao-paulo), em dias consecutivos. O evento gratuito, aberto e comunitário acontece no domingo, e o só-por-convite na segunda, e as mesmas pessoas circulam entre os dois. A cena trata o par como um fim de semana único, e não como concorrentes.

## Os formatos que o tamanho torna possíveis

A **InfoSec Arena** foi criada para o evento e conduzida por Anchises Moraes desde a segunda vez: o público manda perguntas pelo Twitter e em formulários de papel, os temas são sorteados, e quem está na sala responde. Em 2011 os temas que mais renderam polêmica foram certificação e ética profissional, e os que valem lembrar trataram de sistemas embarcados, de métricas que justifiquem investimento em segurança, e de como havia poucas mulheres na área. Um debate cuja pauta sai de um sorteio só funciona se dá para confiar na sala.

O equivalente moderno é o **anti-painel CISO contra CISO**, em que dois executivos de segurança tomam lados opostos de um tema decidido na hora.

## O que a chamada de trabalhos de fato oferece

A chamada de trabalhos do evento é incomumente explícita, e explica a lealdade em volta dele:

- Ajuda de viagem de **USD 1.000 para palestrantes internacionais**, ou **R$ 1.200 para palestrantes brasileiros de fora de São Paulo**.
- Refeições durante todo o evento, e a festa oficial antes e depois - além, nas palavras da própria chamada, das não oficiais.
- **Entrada gratuita vitalícia em todas as edições futuras para quem já palestrou.** Num evento em que, de outro modo, não se entra nem pagando, esse é o item mais valioso da lista.
- Palestras em formatos de 30 e de 15 minutos, com estreantes explicitamente bem-vindos e preferência por pesquisa nova - a chamada registra que já houve quem soltasse trabalho no YSTS antes de levá-lo às conferências maiores no fim do ano.

## As pessoas que fazem acontecer

Os fundadores nomeiam publicamente a equipe, o que nem toda conferência faz: **André Trindade**, **Carlos Cabral**, **Cleber "Clebeer" Brandão**, **Evelise Morais** e **Rodrigo Montoro** já foram agradecidos pelo YSTS por anos de trabalho nos bastidores. Uma conferência cuja proposta inteira é uma sala curada e um local secreto depende inteiramente de quem administra as duas coisas.

## Por que isso importa além da lista de convidados

A comunidade brasileira de segurança tem um calendário cheio - [H2HC](https://ronutz.com/pt-BR/glossary/h2hc), [BSides São Paulo](https://ronutz.com/pt-BR/glossary/bsides-sao-paulo), Roadsec, Nullbyte e um longo circuito regional. O YSTS ocupa uma posição que nenhum dos outros ocupa, e a razão é estrutural, e não editorial: é o que deliberadamente não escalou.

Essa escolha tem um custo, e vale dizê-lo. Um evento só por convite e com local oculto é, por construção, mais difícil de acessar para quem não tem relação com patrocinador - o oposto do [modelo BSides](https://ronutz.com/pt-BR/learn/latin-american-security-conferences), que existe justamente para baixar essa barreira. Os dois formatos não competem tanto quanto se equilibram, e uma cena saudável precisa dos dois: um em que qualquer pessoa entra, e outro em que quem decide as coisas passa um dia conversando entre si.

O que torna o arranjo durável é que os fundadores nunca pararam de fazer aquilo que o produziu. O podcast continua gravando. É isso, quase vinte anos disso, que dá lastro a um convite.

## Fontes

- [You Sh0t the Sheriff - site oficial](https://www.ysts.org)
- [ISTS - i sh0t the sheriff, o podcast, gravando desde 2006](https://creators.spotify.com/pod/profile/ists)
- [O relato de Willian Caprino sobre como o evento foi feito](https://medium.com/io-publishing/you-sh0t-the-sheriff-d1c124b7927b)
- [A cobertura do Securelist na décima edição, com os fundadores sobre manter o tamanho](https://securelist.com/ysts-x-the-highlights-of-the-coolest-security-conference-in-brazil/75230/)
- [Página de palestrantes do YSTS, fonte dos nomes da programação acima](https://www.ysts.org/c%C3%B3pia-palestrantes)
- [O histórico de palestras de Nelson Brito, com o T50 e as conferências, incluindo o YSTS](https://thedevconf.com/palestrante/nbrito)
- [A chamada de trabalhos do YSTS, fonte das condições oferecidas a palestrantes](https://cccure.training/m/articles/view/you-Sh0t-the-Sheriff-information-security-conference-Brazil)
- [Anchises Moraes sobre a quinta edição, o Deviant Ollam e a InfoSec Arena](https://anchisesbr.blogspot.com/2011/05/seguranca-como-foi-o-infosec-arena-no.html)
