# O circuito latino-americano de conferências de segurança: um índice

> A América Latina construiu o próprio circuito de conferências em vez de importar um - Ekoparty em Buenos Aires desde 2001, H2HC em São Paulo desde 2004, DragonJAR na Colômbia, 8.8 no Chile, RoadSec rodando as capitais brasileiras. Este é o índice: quem fundou cada uma, para que cada uma serve de fato, e como diferem dos eventos do norte com que costumam ser comparadas.

Source: https://ronutz.com/pt-BR/learn/latin-american-security-conferences  
Updated: 2026-08-29

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## Por que existe um circuito regional

O caminho óbvio para uma região que entra num campo técnico global é importar: edições franqueadas de conferências estabelecidas, palestrantes trazidos de avião, slides traduzidos. A América Latina em boa parte não fez isso. Construiu eventos independentes, nas próprias línguas, financiados localmente, e vários deles já são velhos o bastante para terem sobrevivido às empresas que patrocinaram seu primeiro ano.

Isso tem consequências que um visitante nota de imediato. As palestras são com frequência em espanhol ou português por escolha, não por limitação. A pesquisa costuma mirar alvos que existem aqui - os sistemas bancários, os instrumentos de pagamento, os veículos e dispositivos específicos vendidos nestes mercados -, que pesquisadores do norte não tinham razão para testar. E os organizadores em geral são profissionais tocando o evento ao lado de um emprego, o que dá o tom do circuito inteiro.

## Argentina

**Ekoparty** — Buenos Aires, anualmente desde 2001, a maior conferência de hacking da região. Fundada por [cinco argentinos](https://en.wikipedia.org/wiki/Ekoparty): [Leonardo Pigñer](https://ronutz.com/pt-BR/glossary/leonardo-pigner), [Federico Kirschbaum](https://ronutz.com/pt-BR/glossary/federico-kirschbaum), [Francisco Amato](https://ronutz.com/pt-BR/glossary/francisco-amato), Juan Pablo Daniel Borgna e Jerônimo Basaldúa. Pigñer a toca como organização de ano inteiro, e não como evento anual, e os fundadores também construíram as empresas de segurança Base4 e Infobyte - as mesmas pessoas produzindo a conferência, a pesquisa e as ferramentas, que é o padrão que dá densidade à cena argentina. Amato é o autor do Evilgrade, o framework que mostrou que um canal de atualização sem assinatura é um sistema de entrega para quem controlar a rede.

## Brasil

**[H2HC](https://ronutz.com/pt-BR/glossary/h2hc)** — Hackers to Hackers Conference, São Paulo, desde 2004: a mais antiga conferência de *pesquisa* em segurança da América Latina, e a ponta técnica profunda do espectro. Organizada por duas décadas por [Rodrigo Rubira Branco](https://ronutz.com/pt-BR/glossary/rodrigo-rubira-branco) e [Filipe Balestra](https://ronutz.com/pt-BR/glossary/filipe-balestra); Branco anunciou sua saída depois de vinte e um anos e Balestra assumiu a liderança única a partir de 2025 - uma sucessão deliberada e pública, que é justamente onde conferências voluntárias mais falham.

**[RoadSec](https://ronutz.com/pt-BR/glossary/roadsec)** — desde 2014, e estruturalmente a ideia oposta: em vez de fazer o país viajar até uma cidade, o festival roda as capitais e culmina numa grande edição paulistana. É a porta de entrada da maioria dos brasileiros que depois vão parar nos eventos técnicos.

**[Mind the Sec](https://ronutz.com/pt-BR/glossary/mind-the-sec)** — a ponta corporativa: vários dias, feira grande, voltada a quem decide e ao ecossistema de fabricantes, e não a pesquisadores.

**O circuito regional** — a parte que mais escapa a quem olha de fora. Além de São Paulo há uma [constelação nacional de BSides](https://ronutz.com/pt-BR/glossary/bsides-brasil) (Rio, Recife, Florianópolis, Vitória, João Pessoa, Brasília, Fortaleza, Porto Alegre, Curitiba) e eventos de organização local em Juazeiro do Norte, Maceió, Natal, Aracaju, Belém, Salvador e Santos. A [BHACK](https://ronutz.com/pt-BR/glossary/bhack) em Belo Horizonte, a [Nullbyte](https://ronutz.com/pt-BR/glossary/nullbyte-con) em Salvador, a [Tosconf](https://ronutz.com/pt-BR/glossary/tosconf) em Campinas, a [CryptoRave](https://ronutz.com/pt-BR/glossary/cryptorave) e a [307c](https://ronutz.com/pt-BR/glossary/307conf) em São Paulo, e o [SBSeg](https://ronutz.com/pt-BR/glossary/sbseg) do lado acadêmico. O [Fórum Brasileiro de CSIRTs](https://ronutz.com/pt-BR/glossary/forum-brasileiro-de-csirts) e o [GTS/GTER](https://ronutz.com/pt-BR/glossary/gts-gter) sustentam a comunidade operacional. O [calendário anual](https://ronutz.com/pt-BR/glossary/calendario-anchises) de Anchises Moraes mapeia mais de quarenta por ano e é o documento de trabalho contra o qual os organizadores se planejam.

**[Latinoware](https://ronutz.com/pt-BR/glossary/latinoware)** — Foz do Iguaçu, desde 2004, o congresso de software livre e não um evento de segurança, e um dos maiores encontros FLOSS da região. A **[Campus Party](https://ronutz.com/pt-BR/glossary/campus-party)** trouxe da Espanha o formato de cidade de barracas e achou no Brasil suas maiores plateias.

## Colômbia

**[DragonJAR](https://ronutz.com/pt-BR/glossary/dragonjar)** — nascida do que virou a maior comunidade de segurança em espanhol de sua época, fundada por [Jaime Andrés Restrepo](https://ronutz.com/pt-BR/glossary/jaime-andres-restrepo) e realizada em Manizales. Sua escolha definidora foi a língua: construída em espanhol para uma região que deveria aprender segurança em inglês. A pesquisa do próprio Restrepo sobre ataque a carros conectados vendidos na América Latina é o enunciado mais claro do argumento do circuito - alvos regionais precisam de pesquisadores regionais, porque ninguém lá fora os está testando.

## Peru

A **[PERÚHACK](https://ronutz.com/pt-BR/glossary/peruhack)** — Lima, gratuita e assumidamente técnica, apresentando a segurança pela perspectiva do atacante e continuando explicitamente a linhagem de sua antecessora, a LimaHack. A **[BSides Perú](https://ronutz.com/pt-BR/glossary/bsides-peru)** roda desde 2018. O par repete um padrão visível pela região: um local otimizado para acesso, outro para profundidade, em vez de um evento tentando ser os dois.

## Chile

**[8.8 Computer Security Conference](https://ronutz.com/pt-BR/glossary/8dot8)** — Santiago, desde 2011, cocriada por Gabriel Bergel, deliberadamente "100% técnica e acadêmica" e envolvida a cada ano num tema diferente de cultura pop. Seu propósito declarado é democratizar conhecimento, e desde então exportou edições para outras cidades da região.

## O Brasil além de São Paulo

Os eventos acima são os de perfil internacional, mas são uma fração pequena do circuito. O [calendário anual de Anchises Moraes](https://ronutz.com/pt-BR/glossary/calendario-anchises) mapeou mais de quarenta eventos de segurança só para 2026, e lê-lo é o jeito mais rápido de entender como a cena brasileira de fato é: a [BHack](https://ronutz.com/pt-BR/glossary/bhack) em Belo Horizonte e a [Nullbyte](https://ronutz.com/pt-BR/glossary/nullbyte-con) em Salvador ancoram duas regiões fora do sudeste, e edições da BSides hoje acontecem no Rio, em Florianópolis, Recife, Vitória, João Pessoa, Brasília, Fortaleza, Curitiba e Porto Alegre, ao lado da paulistana.

Depois vêm os especialistas. A [CryptoRave](https://ronutz.com/pt-BR/glossary/cryptorave) segura a discussão de privacidade e criptografia como trilha principal, e não como conversa paralela. O [SBSeg](https://ronutz.com/pt-BR/glossary/sbseg) é o simpósio acadêmico, e a distância entre ele e as conferências hacker é incomumente curta aqui - os mesmos nomes aparecem nos dois. O [Fórum Brasileiro de CSIRTs](https://ronutz.com/pt-BR/glossary/forum-brasileiro-de-csirts) é aquele que ninguém de fora do campo nota e de que todo mundo depende: os respondedores de incidente comparando anotações uma vez por ano. E a [Tosconf](https://ronutz.com/pt-BR/glossary/tosconf), a autodenominada "conferência tosca" de Campinas, existe para satirizar a profissionalização de tudo isso.

Cidades menores carregam as suas: Juazeiro do Norte, Maceió, Natal, Aracaju, Belém, Santos, Pindamonhangaba. Um circuito que chega a Pindamonhangaba não é um circuito paulista com visitantes.

## Como diferem dos eventos do norte

Postas ao lado da [DEF CON](https://ronutz.com/pt-BR/learn/defcon-culture-and-the-goons) e da Black Hat, três diferenças saltam.

**Escala não é o objetivo.** A maioria desses eventos tem tamanho tal que os organizadores ainda conhecem boa parte da sala, propriedade que a DEF CON perdeu ao dar certo e que tenta simular com suas vilas.

**A ponta corporativa e a comunitária são locais separados,** e não trilhas separadas: Mind the Sec e H2HC são eventos diferentes para gente diferente, enquanto o circuito do norte divide a mesma pesquisa entre uma conferência paga e uma gratuita realizadas com dias de intervalo.

**Sucessão é o problema difícil.** Essas conferências são jovens o bastante para a maioria ainda ser tocada por seus fundadores, e a passagem de bastão do H2HC é o primeiro grande teste de se o circuito sobrevive a quem o construiu. Essa é a pergunta que vale acompanhar na próxima década.

## Um mapa incompleto

Este índice cobre os eventos que o corpus consegue hoje documentar com fontes: Argentina, Brasil, Chile, Colômbia e Peru. O circuito é maior que isso - Uruguai, Paraguai e Venezuela têm organizadores e eventos que merecem verbetes aqui, e a lacuna é de documentação, não de atividade.

Essa lacuna é uma afirmação sobre este índice, não sobre aquelas comunidades, e é a próxima coisa a corrigir. Se você organiza ou frequenta um deles, [a página de contribuição](https://ronutz.com/pt-BR/contribute) é o caminho para que entre direito - com os fundadores nomeados, que é a parte que o registro costuma perder primeiro.
